Exposição "Eu Afeto" reúne obras inéditas de 20 artistas visuais negros em Porto Alegre

Trabalhos poderão ser visitados gratuitamente no Paço Municipal de 9 de setembro a 9 de dezembro​

​Laila Garroni, curadora da exposição, em frente do Paço Municipal | Foto: Amanda Lucchese



O Mamangava Lab. inaugura no dia 9 de setembro, quarta-feira, às 18h, no Museu de Arte do Paço (Praça Montevideo, 10) em Porto Alegre (RS), a EU AFETO, uma exposição em movimento. Com curadoria de Laila Garroni, a mostra coletiva reúne trabalhos inéditos de 20 artistas visuais negros do RS. Com entrada franca, a visitação acontece de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 9h às 17h, até o dia 9 de dezembro. A programação também prevê atividades especiais para a Semana da Consciência Negra, que acontece de 16 a 19 de novembro.

Cada um dos artistas produziu uma obra para a EU AFETO, que aborda a diversidade da experiência negra e variados sentidos de afeto, incluindo ancestralidade e pertencimento. A curadoria reuniu criativos residentes em Porto Alegre, Pelotas, Rio Grande e Santa Maria para revelar suas interpretações em vários suportes como colagem, desenho, fotografia, instalação e pintura. Além da exposição, a equipe prepara ações de comunicação e mediação para aproximar a mostra de jovens, escolas e coletivos.

Segundo Laila, uma das propostas do trabalho é entregar mais uma possibilidade de lugar de troca sobre a humanidade negra. "O trabalho coletivo representa o que é ser uma pessoa negra no mundo, no RS e quais são todos os afetos que nos permeiam. Afeto não é só o que tentam nos dizer o que é esse sentimento romantizado: amor ou carinho, por exemplo", explica a curadora. "Também tem que contemplar a nossa raiva, insatisfação, os nossos momentos de solidão e despertencimento . Isso tudo vislumbra a nossa existência", elabora.

O papel do processo curatorial foi ouvir e provocar os artistas, estimulando o aprofundamento de suas ideias sem impor caminhos ou resultados. As conversas muitas vezes alcançaram questões pessoais e emocionais profundas. A curadoria estimulou os criadores a reivindicar a humanidade através da demonstração de todas as suas dimensões emocionais inerentes às vivências negras.

O processo foi longo (começou em 2024) e rendeu "sessões de terapia" com cada um dos 20 artistas. "Então, quando eu levantava esses questionamentos e os artistas passavam por um processo de autoanálise, de entender: mas por que realmente eu acho que a minha raiva não é afeto?", explica Laila Garroni. "E aí a gente discutia horas e horas sobre isso, sobre como a raiva, principalmente relacionada ao povo negro, é usada para nos retirar a nossa humanidade", questiona.

A exposição coletiva nasceu dos desdobramentos do documentário inédito, de mesmo nome, "EU AFETO", dirigido por Laila. O projeto, contemplado com recursos da Lei Paulo Gustavo, investiga como a herança africana permeia e rege a vida de pessoas negras em diáspora no Brasil. Ali nasceu o embrião da mostra: distanciar-se da idealização e romantização do afeto, investigando as armadilhas criadas quando aceitamos apenas sua faceta agradável. O documentário tem lançamento previsto para 2027.

O projeto EU AFETO.expo conta com recursos do Edital SEDAC/PNAB RS nº 29/2024 para artes visuais.

Serviço

EU AFETO, uma exposição em movimento 

Abertura: 9 de setembro de 2026, quarta-feira, às 18h

Quando: de 9 de setembro a 9 de dezembro de 2026

Horário de visitação: de segunda a sexta-feira, exceto feriados, das 9h às 17h

Onde: Museu de Arte do Paço (Praça Montevideo, 10 - Centro Histórico de Porto Alegre-RS)

Quanto: entrada franca

Instagram: @euafeto.expo e @mamangava.lab

Site: mamangavalab.com


Artistas: Afrokaliptico, Avel, CARCOR, Estêvão da Fontoura, Gustavo Assarian, Josemar Afrovulto, Kayla Calistro, Leandro Machado, Lia Braga, Marcos Porto, Marlon Laurencio, Mitti Mendonça, Pamela Zorn, Paulo Corrêa, Rusha, Thiago Madruga, Tintas Dener, Virgínia Di Lauro, Wagner Mello e Yasmim Lima