“A Manhã Seguinte” conquista o público com humor inteligente e elenco afiado em São Paulo
| Foto: Michael Fred |
Sucesso em mais de dez países, A Manhã Seguinte confirma no palco brasileiro o prestígio internacional que conquistou ao longo dos anos. Em temporada no Teatro Villa-Lobos, em São Paulo, a comédia de Peter Quilter aposta em diálogos precisos, situações improváveis e um elenco em pleno entrosamento para conduzir o público por uma história leve, divertida e surpreendentemente afetuosa.
A trama parte de uma situação aparentemente simples: dois desconhecidos acordam juntos após uma noite inesperada. No entanto, o texto se expande com inteligência ao inserir camadas emocionais, conflitos familiares e silêncios reveladores. Carol Castro e Bruno Fagundes sustentam com delicadeza e verdade o eixo central da narrativa, compondo personagens vulneráveis, contraditórios e facilmente reconhecíveis pelo público.
Angela Rebello brilha como a mãe sem filtros, presença forte e absolutamente segura em cena, responsável por boa parte das tensões e das viradas da história. Já Gustavo Mendes é um espetáculo à parte. Com humor afiado, tempo cômico impecável e presença cênica dominante, o ator rouba a cena sempre que entra, arrancando gargalhadas genuínas da plateia. Seu personagem, Márcio, funciona como o elemento que desestabiliza a narrativa, trazendo irreverência, sarcasmo e uma comicidade inteligente que nunca recorre ao óbvio.
A direção de Thereza Falcão e Bel Kutner acerta ao respeitar o ritmo do texto e valorizar o trabalho dos atores, permitindo que o humor surja das relações, das pausas e das contradições humanas. A encenação é limpa, elegante e eficaz, criando um ambiente íntimo no qual cada gesto e cada fala encontram espaço para ressoar.
A Manhã Seguinte é uma comédia que vai além da gargalhada fácil. Entre risos e reviravoltas, o espetáculo fala sobre encontros reais, afetos mal resolvidos e tudo aquilo que deixamos de dizer. Um teatro de escuta, afeto e humor bem construído, capaz de fazer rir no presente e refletir depois, talvez, na manhã seguinte.
Segue abaixo entrevistas com os atores da peça: