Espetáculo Subversão Kafka, com Ricardo e Caio Blat, estreia no teatro do Sesc Bom Retiro, em São Paulo, no dia 20/3

Adaptação de contos de Kafka por Rogério Blat marca parceria inédita dos primos no teatro

Foto: Carlos Costa


Dirigida por Caio Blat e estrelada por Caio e Ricardo Blat, Subversão Kafka, adaptação do dramaturgo Rogério Blat dos contos Primeira DorO Artista da Fome e Josefina, A Cantora dos Ratos, do escritor tcheco Franz Kafka, estreia no teatro do Sesc Bom Retiro, em São Paulo, no dia 20 de março. Com sessões sextas (exceto dia 3 de abril, feriado da Paixão de Cristo) e sábados às 20h, domingos e feriados, às 18h, além das sessões extras, nos dias 17 e 24/4, sextas, às 15h, e também no dia 21/4, terça, às 18h (feriado do Dia de Tiradentes), a peça marca o encontro inédito dos três primos no teatro e dos atores em cena. A temporada conta ainda com duas sessões com recursos de acessibilidade no final de semana dos dias 18 e 19/4: no sábado com audiodescrição, e no domingo com libras. 

“O meu primo Ricardo é a maior inspiração da minha carreira, ele é um ator imprevisível, “ameaçador”, magnético. Em parceria com meu primo Rogério, eles criaram alguns dos espetáculos que mais me marcaram, como O Patinho Feio, em que o Ricardo fazia um solo apavorante e delirante com adaptação do Rogério. É um absurdo que eu nunca tenha trabalhado com eles. Mas agora esse absurdo está sendo corrigido e esse desejo está sendo realizado de uma forma sublime. É um sonho fazer Kafka, um dos artistas que eu mais amo e temo, com a adaptação do Rogério, e contracenando um dos maiores atores desse país, que é o Ricardo Blat”, comenta Caio Blat.

O espetáculo, que conta com trilha sonora ao vivo do pianista, arranjador e compositor de música original de diversas obras no teatro e no audiovisual Fernando Moura, reúne três dos últimos contos de Kafka que falam sobre a condição do artista no mundo contemporâneo, confrontando a dedicação insana à perfeição artística ao talento que beira a fraude. No palco, os atores apresentam o último espetáculo em um teatro em ruínas e com o impacto do absurdo sobre suas vidas, e desconstroem Kafka com ousadia e humor, convencidos que o fim dos tempos chegou.
Para escrever Subversão Kafka, Rogério Blat pesquisou sobre vida e obra do autor para buscar uma tradução cênica autêntica, viabilizando no palco através da ação, um sonho-pesadelo, a destruição e a renovação dos conceitos intrigantes de Kafka. 

“Os três contos se intercalam com situações desafiadoras vividas pelos atores no espetáculo envolvendo a plateia no contrassenso dos acontecimentos. Como é um projeto familiar, meu principal objetivo foi escrever uma peça que meu irmão e meu primo se divertissem a cada apresentação, consolidando a união e o afeto que existe entre nós”, explica o dramaturgo.

O processo de criação dos artistas em cena exige musculatura física, mental e espiritual. Para Ricardo Blat, estar em cena com um texto de Kafka é como “vivenciar um sistema social e artístico apontado por ele há um século, mas que permanece atual”, e complementa:

“Trabalhar sobre a dramaturgia do Rogério, meu irmão, atuando com e sob a direção do Caio, meu primo, é estar envolto na ternura dos Blat. Uma honra!”


Sinopse

Diante da ruína de uma companhia de Teatro de Variedades, dois artistas remanescentes realizam o último espetáculo, que tem como atração a famosa cantora Josefina – uma rata. Para surpresa dos atores, que já nem contavam com público, os ratos comparecem em peso para desfrutar da sublime arte da diva inigualável. Porém, a apresentação se torna incerta quando a cantora é anunciada e não entra em cena. Verificam que ela ainda estaria se preparando e pedem paciência ao público. Diante dessa adversidade, os atores são obrigados a improvisar para conter a ansiedade da plateia.

Já que é o derradeiro dia, eles resolvem homenagear personalidades que fizeram história na companhia e merecem ser lembrados, como o trapezista que se dedicou tanto à sua arte que nunca mais quis descer do trapézio, e o jejuador, que sofre profundamente quando o público passa a rejeitar o seu sagrado ofício. Ambos dedicaram suas nobres vidas à busca do êxtase da perfeição; porém, a plateia quer mesmo é ver e ouvir Josefina. Afinal, ela é um mito. O seu canto hipnotiza multidões e abranda as dores mais agudas desses tempos tão difíceis. Quando, finalmente, os acordes anunciam a sua entrada e ela surge com sua aparência imperial, todos silenciam e quase param de respirar. Josefina joga a cabeça para trás, abre sua boquinha rosa-pálida e emite um som — ou melhor, um guincho estridente inigualável. Mas o que tem esse canto que a tornou tão famosa?