Grupo Filosofia & Arte estreia a peça "As visitas - Uma ficção filosófica", dia 29 de setembro, no Acaso Cultural
Com entrada gratuita na estreia, a peça une teatro, literatura e música ao vivo
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| Foto: Vinicius Giffoni |
Há visitas que chegam sem avisar. Basta uma porta se abrir. É dessa imagem aparentemente simples - e de tudo o subentendido que ela carrega - que nasce “As visitas - Uma ficção filosófica”, primeira montagem teatral do Filosofia & Arte, grupo que há dez anos leva a filosofia para fora da sala de aula em shows, aulas-espetáculo e demais propostas criativas que já passaram por diversos palcos do Rio. Agora, sob o comando de Bia Antunes e Luame Cerqueira, eles dão um passo além, estreando a sua primeira "ficção filosófica" (brincadeira proposital com a ficção científica), dia 29 de setembro, terça-feira, às 20h, no Acaso Cultural.
O espetáculo ficará em cartaz até 10 de novembro, em terças-feiras alternadas (29/9, 13/10, 27/10 e 10/11), sempre às 20h. A estreia é gratuita. Nos demais dias, o ingresso custa R$80 (inteira) e R$40 (meia).
Unindo teatro, literatura e música ao vivo, “As visitas — uma ficção filosófica” mostra o que acontece quando alguém, ou algo, chega sem avisar e muda tudo o que parecia certo. São presenças que embaralham o que é familiar ou o que é estranho, o que é real ou o que é ficção, o que vem de fora e o que já mora dentro de cada um.
Para dar corpo a essa ideia, Bia Antunes e Luame Cerqueira - que assinam juntos criação, dramaturgia, direção e atuação - se apoiam em contos dos autores Victor Giudice, Julio Cortázar, Unamuno e F. Scott Fitzgerald, cujas narrativas e personagens se cruzam em cena com textos autorais da dupla. A música ao vivo será conduzida em dias alternados por Christian Gazzetta (bandoneon) e Jean Charnaux (violão).
O ponto de partida é um conceito simples e, ao mesmo tempo, vertiginoso: somos visitados o tempo todo. Pelo amor, pelas musas dos poetas, por uma música que muda quem a escuta...
"Costuma-se pensar que visitamos e somos visitados apenas na condição de indivíduos, como se fôssemos pontos de partida das experiências. Mas o que somos não é uma essência fixa: já é efeito da maneira como relações e forças nos visitam sem hora marcada e nos atravessam. Das bactérias ao amor, são sempre visitas que nos constituem e, sobretudo, nos modificam. Somos visitados pelas artes, seja por uma música, um conto ou uma peça, e nunca mais voltamos a ser os mesmos", diz Bia Antunes.
Em cena, a peça abre com um monólogo curto, adaptado de um conto de Victor Giudice, sobre uma pessoa que chega em casa e encontra tudo sempre desarrumado. A cenografia reforça essa ideia com uma porta, símbolo permanente de chegada e limiar.
"Seria contraditório se o processo de criação não seguisse o próprio tema da peça. Entre os autores e artistas que já fazem parte da nossa constituição, alguns foram nos visitando mais insistentemente e, naturalmente, foram conquistando seu lugar. Na literatura fantástica, como em Giudice e Cortázar, encontramos a vida encarnada em visitas que revelam que o mundo não é aquilo que habitualmente se supõe", conta Luame Cerqueira, que completa: "Podemos dizer que há uma multiplicidade de referências, mas, acima de tudo, percebemos que nossa tarefa era ser mais do que anfitriões: ser a própria casa para receber essas visitas".
A música é parte estrutural da dramaturgia, não apenas uma trilha. Christian Gazzetta (bandoneon) e Jean Charnaux (violão) interagem com a cena e se apresentam ao vivo, em cinco ou seis músicas inteiras que criam momentos contemplativos e vão construindo, aos poucos, uma ambiência própria.
Se em alguns momentos, a encenação ganha um tom mais filosófico ou musical, o objetivo nunca é explicar, mas sim encantar.
"Para nós, assim como para certos pensadores, a filosofia nunca foi do campo da explicação, mas uma expressão vital. Ela não serve para responder a perguntas já dadas nem para dizer o que as coisas são, e sim para intensificar a existência. Assim como as artes, a filosofia nos arranca do senso comum, do mundo estabelecido, mostrando-nos que a vida é do campo do transbordamento", afirma Bia Antunes.
Luame completa dizendo que não se trata de traduzir uma linguagem em outra: o pensamento também pode se fazer por sensações, imagens, ritmos e afetos, e não apenas por discursos lógicos.
“Quem visitar a peça poderá até sair com mais entendimento, claro, mas o espetáculo só triunfará se o visitante for embora com os sintomas de quem recebeu uma intensa visita que, a despeito de sua vontade, vai durar. Queremos ser visitados, e convidar o público para essa mesma visita”, conclui Luame.
SINOPSE:
Em cena, a peça acompanha o instante em que algo bate à porta ou entra sem bater e nada mais volta a ser exatamente como era. É o estranho se instalando no que era familiar, a ficção se infiltrando no real, o de fora encontrando abrigo no que já morava dentro de cada um. A peça se apoia em contos de Victor Giudice, Julio Cortázar, Unamuno e F. Scott Fitzgerald, cujas narrativas e personagens se cruzam em cena com textos autorais do grupo, misturando filosofia, literatura, teatro e música ao vivo.
FICHA TÉCNICA:
Criação, dramaturgia e direção: Bia Antunes e Luame Cerqueira
Atuação: Bia Antunes e Luame Cerqueira
Música ao vivo: Christian Gazzetta (bandoneon) e Jean Charnaux (violão)
Produção cenográfica: Carla Berri e Marco Souza
Iluminação: Emerson Bonitinho
Som: Fernando Capão
Fotografia e vídeo: Vinícius Giffoni
Assessoria de imprensa: Mario Camelo e Gustavo Menezes (Prisma Colab)
Produção: Bia Antunes e Luame Cerqueira
Realização: Filosofia & Arte
SERVIÇO:
As visitas — uma ficção filosófica
Estreia: 29 de setembro de 2026
Horário: 20h
Temporada: terças alternadas, até 10 de novembro de 2026 (29/9, 13/10, 27/10 e 10/11)
Local: Teatro do Acaso Cultural
Endereço: Rua Vicente de Sousa 16, Botafogo, RJ
Classificação: 12 anos
Duração: 80 minutos
Valor: grátis na estreia. Nos demais dias: R$ 80 (inteira) | R$ 40 (meia)
Venda antecipada: www.sympla.com.br/filosofiaearte
COMO GARANTIR LUGAR NA ESTREIA GRATUITA (29/09, às 20h)
As reservas pelo Sympla abrem no dia 29 de setembro, ao meio-dia.
Mesmo que as reservas online estejam esgotadas, parte dos lugares será distribuída na porta, por ordem de chegada, a partir das 19h15.
Lugares reservados pelo Sympla devem ser ocupados até 19h45 — após esse horário, serão liberados para a fila de espera presencial.
O espetáculo começa às 20h em ponto.
