30 anos de Angel Mix: a abertura secreta de Angélica que quase ninguém viu

 Há três décadas, Angélica estreava na Globo com um programa que se tornaria inesquecível. Antes de chegar ao ar, porém, o Angel Mix passou por um piloto cercado de novidades — incluindo uma entrada espetacular pelo teto do Teatro Fênix que acabou sendo descartada.


Angelica no comando do primeiro Angel Mix, em 16 de setembro de 1996 | Reprodução TV Globo



Em 16 de setembro de 1996, Angélica iniciava uma nova fase de sua carreira. Era o dia da estreia do Angel Mix, seu primeiro grande programa na TV Globo e uma atração que, ao longo dos anos seguintes, faria parte da rotina de toda uma geração.

O programa chegou ao ar inicialmente às 11h, reunindo auditório, brincadeiras, música, desenhos e diferentes quadros. Dentro desse universo também estava Caça Talentos, a novelinha protagonizada por Angélica que apresentaria ao público a inesquecível Fada Bela.

Mas, antes de o público conhecer o Angel Mix, a produção passou por um período de testes — e uma dessas gravações guarda uma história que permaneceu praticamente escondida por três décadas.

O Angel Mix antes da estreia

Imagem com o A com asas que foi descartado do cenário | Foto: Humberto Rametta

De acordo com o relato do fã Humberto Rametta, que esteve presente nas gravações, o piloto do Angel Mix foi registrado em 5 de setembro de 1996, onze dias antes da estreia oficial.

Na ocasião, foram gravados cinco programas no mesmo dia.

Era o primeiro contato da equipe com aquele novo formato. Cenário, figurinos, musicais e toda a dinâmica da atração ainda estavam sendo experimentados.

E a abertura preparada para aquele primeiro registro era bem diferente daquela que o público acabaria conhecendo.

A entrada pelo “A” com asas


Angélica surgiria do teto por esse A com asas e iria embora da mesma forma. Abertura e final do programa foi reprovado pela alta cúpula da Globo. | Foto: Humberto Rametta


Na versão original, Angélica faria uma entrada digna de um grande espetáculo.

O palco do Teatro Fênix recebeu um enorme “A” com asas, reprodução do logotipo que identificava a apresentadora naquele período. A ideia era que Angélica surgisse descendo do teto através da estrutura, criando uma entrada grandiosa.

Tudo isso acontecia ao som de uma nova gravação de “Além das Nuvens”.

A cena chegou a ser registrada, mas aquela versão da abertura não foi aprovada para a exibição oficial. A produção optou por refazer as sequências de abertura e encerramento na semana seguinte.

Um pequeno trecho da primeira versão, entretanto, acabou sobrevivendo: imagens da gravação foram exibidas pelo Vídeo Show durante a semana de estreia do programa.

É um daqueles registros de televisão que ganham ainda mais valor com o passar do tempo: uma versão que foi produzida, gravada e posteriormente descartada, mas que não desapareceu completamente.

Quando nem Caça Talentos era conhecida

Fada Bela (Angélica) e fada Margarida (Marilu Bueno) nas primeiras cenas de Caça Talentos, em 1996


O primeiro dia de gravações também revela como tudo ainda era incerto naquele momento.

Segundo Humberto, algumas cenas de atuação no palco davam a impressão de que poderiam fazer parte de um quadro ou de alguma experiência que misturasse a apresentação de Angélica com a ficção.

Só que havia uma grande surpresa reservada.

Quem estava na plateia naquele dia nem sequer sabia da existência de Caça Talentos.

A novelinha ainda não fazia parte daquela experiência inicial para quem acompanhava as gravações. Mais tarde, ela se tornaria um dos principais elementos do programa e levaria Angélica para o universo da fantasia na pele de Fada Bela.

O que para a equipe era um dia de testes, para quem estava no estúdio acabou se transformando em um registro raro dos primeiros momentos de um programa que marcaria uma geração.

De programa novo a fenômeno de uma geração

A fase Praia do programa Angel Mix | Foto: Acervo Globo


Quando o Angel Mix finalmente estreou, a Globo apresentava ao público uma atração que reunia diferentes formatos em um mesmo espaço.

Havia o auditório, as brincadeiras, os musicais, os desenhos e, dentro da programação, a história de Caça Talentos.

A atração passou por diversas transformações ao longo de sua trajetória. Novos cenários, quadros, personagens e formatos foram incorporados, mantendo o programa em constante renovação.

Em janeiro de 1997, uma das mudanças mais importantes aconteceu: o Angel Mix passou a ocupar as manhãs da Globo, com início às 8h30.

A mudança ajudou a consolidar a atração como uma presença diária na televisão de milhares de famílias brasileiras.

Fada Bela e a memória afetiva

Angélica era Fada Bela | Foto: Acervo Globo


Com Angélica no papel de Fada Bela, Caça Talentos ganhou uma identidade própria dentro do Angel Mix.

A novelinha misturava fantasia, aventura e humor e criou personagens que permaneceram na memória do público.

Para muitas crianças dos anos 1990, o Angel Mix não era apenas um programa de televisão. Era parte da rotina.

Era acordar, ligar a TV e encontrar Angélica no palco. Era esperar pelos desenhos, pelas músicas, pelas brincadeiras e pelos capítulos da novelinha.

É justamente essa combinação de formatos e personagens que ajuda a explicar por que, tantos anos depois, a atração continua sendo lembrada com tanto carinho.

Em 1999 outra novelinha fez parte do programa, "Flora encantada", mas nem de perto trouxe a mesma repercução que a inesquecível Bela.

O fim de uma era

O último cenário do programa Angel Mix em 2000 | Foto: Humberto Rametta


Depois de quase quatro anos no ar, o Angel Mix chegou ao fim em 30 de junho de 2000.

Ao longo de sua trajetória, o programa mudou de aparência, formato e conteúdo, mas deixou uma marca muito particular na televisão infantil brasileira.

E hoje, quando se completam 30 anos da estreia, a história pode ser recontada também a partir daquele dia 5 de setembro de 1996.

Antes da estreia oficial, antes de Fada Bela se tornar conhecida, antes de o público acompanhar a nova rotina de Angélica na Globo, havia um enorme “A” com asas no teto do Teatro Fênix.

Angélica descia daquela estrutura ao som de “Além das Nuvens”.

A cena foi gravada, mas não chegou à abertura oficial.

Ficou como uma espécie de primeiro rascunho de um programa que ainda estava descobrindo a própria identidade.

E talvez seja justamente isso que torne esse registro tão especial.

Porque, 30 anos depois, a história do Angel Mix não é feita apenas das imagens que foram ao ar. Ela também é feita daquilo que aconteceu nos bastidores, das ideias que foram testadas, das cenas que foram modificadas e dos momentos que quase se perderam no tempo.

Em 16 de setembro de 1996, o público conheceu o Angel Mix. Mas, onze dias antes, um pequeno grupo já tinha testemunhado o nascimento daquela história.