Maria Bethânia e Paulo Vieira falam sobre arte, televisão, religiosidade e Brasil no "Conversa com Bial"

Programa vai ao ar na próxima terça-feira, dia 18, após ‘Pablo & Luisão’

Pedro Bial, Maria Bethania e Paulo Vieira | Foto: Victor Pollak


Dois artistas de gerações, linguagens e trajetórias distintas, mas atravessados por uma mesma confiança na força da cultura popular brasileira, se encontram no ‘Conversa com Bial’ da próxima terça-feira, dia 18. Maria Bethânia e Paulo Vieira são os convidados de Pedro Bial em uma edição gravada no Teatro de Câmara da Cidade das Artes Bibi Ferreira, no Rio de Janeiro, para uma conversa que passa por televisão, teatro, música, religiosidade, formação artística e pelas raízes que seguem orientando seus trabalhos.

Logo na abertura, Bial estabelece o elo entre os convidados a partir das diferenças que os tornam complementares. De um lado, Bethânia, “uma senhora artista cujo compromisso com a verdade nos abençoa já há mais de 60 anos”; de outro, Paulo, “um jovem artista que rompeu no humor brasileiro com uma verdade desconcertante”. O apresentador ressalta ainda a ligação de ambos com as tradições de suas terras – o Recôncavo Baiano, no caso dela, e Palmas, no Tocantins, no caso dele – e define os dois como “faces do mesmo redemoinho”.

A memória de Bibi Ferreira aparece já nos primeiros minutos do programa, quando Bial menciona o nome da artista que batiza o teatro. Bethânia celebra a referência, e Paulo relembra um encontro decisivo com Bibi, ainda adolescente, em Palmas, que ajudou a orientar sua relação com a carreira e com a televisão. “Eu encontrei a Bibi Ferreira no aeroporto de Palmas. Na época, eu estava montando ‘Gota d’Água’, e ela ficou conversando comigo sobre a peça, recitou textos, cantou músicas ali mesmo. Foi um dos maiores atos de generosidade que eu já vi. E ela me disse uma coisa que ficou comigo: que eu tinha que continuar na minha cidade, fazendo o meu trabalho, porque um dia a televisão ia olhar para o interior do Brasil. De alguma forma, eu acreditei muito nisso. Eu sou fruto da televisão e daquilo que chegava para mim. Sou fruto do que era produzido para o povo”, afirma Paulo, que cita obras como ‘Hoje é Dia de Maria’, ‘Som & Fúria’, ‘A Pedra do Reino’, ‘O Auto da Compadecida’ e ‘Tapas & Beijos’ como parte de sua formação.

A admiração mútua entre os convidados conduz boa parte do encontro. Bethânia fala da impressão causada por Paulo desde a primeira vez em que o viu na televisão: “Eu fiquei encantada com a naturalidade dele, com a personalidade, com a verdade. Ele chegou com uma coisa muito própria, muito dele”, afirma. Ele, por sua vez, diz ter sido educado não apenas artisticamente, mas também como pessoa, por Bethânia e por artistas ligados a ela. “Muitas vezes, sentimentos, elaborações, coisas que eu não sabia que podia dizer ou sentir, ou que eu não sabia elaborar, e que não estavam na boca da minha família, ela me ensinou a dizer, me ensinou a sentir”, diz.

A conversa também se dedica à permanência das origens na obra de cada um. Ao falar sobre a forma como Bethânia se relaciona com o público e com sua história, Paulo resume: “Bethânia nunca deixou de pisar em Santo Amaro. Mesmo pisando aqui agora, ela está em Santo Amaro. Ela nunca deixou de cantar em Santo Amaro. Ela pode estar no palco mais importante do mundo que ela está em Santo Amaro”. Questionado por Bial se também se sente assim em relação a Palmas, ele responde: “Sempre. Sempre no quintal da minha casa”.

Entre humor, música e projetos futuros, Paulo revela que está gravando um disco. A informação surge em tom bem-humorado, quando Bethânia comenta sua disposição para cantar com outros artistas, e ele admite não ter tido coragem de convidá-la. Bial brinca com a situação, Bethânia reage com entusiasmo à ideia, e Paulo adianta que o álbum deve chegar no início do ano que vem. O programa também menciona a segunda temporada de ‘Pablo & Luisão’, prevista para o fim do ano, e próximos shows de Bethânia.

A religiosidade, afinidade destacada por Bial entre os dois, ganha espaço no trecho final da entrevista. Bethânia relembra a criação em colégio de freiras, a proximidade com Nossa Senhora e o encantamento pelo candomblé, apresentado a ela por Vinicius de Moraes. “Eu fui criada em colégio de freiras, sou muito ligada a Nossa Senhora. E, quando conheci o candomblé, fiquei encantada com a beleza, com os ritos, as roupas, a comida, os cânticos, os tambores, o canto, a dança. Aquilo ampliou a minha relação com o sagrado”, conta. O assunto também rende um momento descontraído quando Bial associa Gilberto Gil a Xangô, e Bethânia corrige: “Gil é de Logun Edé”.

‘Conversa com Bial’ vai ao ar na TV Globo às terças-feiras, após ‘Pablo & Luisão’. O programa tem apresentação e redação final de Pedro Bial, direção de Fellipe Awi, direção artística de Gian Bellotti e produção de Anelise Franco. A direção de gênero é de Monica Almeida.