"Macunaíma" ganha releitura da Oficina Estilhaça e estreia no Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (RJ)
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| Gabriel Macedo, Lorena Vicente, Fernando Salvieir, Luís Souto estão no elenco de Macunaíma | Foto: Paulo Aragon |
A Oficina Estilhaça traz para o Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB), Gamboa (RJ), o espetáculo ‘Macunaíma’, uma releitura contemporânea do clássico de Mário de Andrade e segundo ato da Trilogia Antropofágica. A peça, que faz temporada de 28 de agosto a 11 de setembro, com apresentações às sextas-feiras, às 19h30, busca mergulhar nas complexidades da identidade nacional brasileira, utilizando a obra de Andrade como um ponto de partida para questionamentos sobre o Brasil atual.
“A ideia de trazer ‘Macunaíma’ o Museu da História e Cultura Afro-Brasileira, nossa ideia é “invadir os espaços” do museu criando um espetáculo imersivo junto ao público, surgiu após o sucesso do espetáculo "Encruzilhadas", primeiro ato da Trilogia Antropofágica, que fez temporada em 2025. Agora voltamos nosso olhar para Mário de Andrade e para o Modernismo, propondo uma leitura contemporânea de Macunaíma. Estamos questionando identidade nacional, formação do povo brasileiro, desigualdades entre outros problemas graves que precisamos enfrentar”, explica Matheus Raineri, que ao lado de Mari Mello, dirige o espetáculo.
A produção utiliza a narrativa do romance "Macunaíma", publicada em 1928, como eixo central, revisitando personagens, conflitos e símbolos que se tornaram ícones da literatura modernista.
“Em sua proposta, não queremos nos limitar a ser um único herói destemido, mas apresentamos vários Macunaímas, representando a pluralidade e as contradições do Brasil contemporâneo. Essa abordagem é uma homenagem à obra original e também uma crítica ao mito fundacional da identidade nacional”, diz Raineri.
“Nosso objetivo é questionar o que significa ser brasileiro no século XXI. Estamos trazendo à tona as múltiplas vozes que compõem a nossa identidade”, afirma Mari. Ela destaca ainda que o espetáculo “não apenas resgata a obra de Andrade, mas também a coloca em diálogo com as realidades enfrentadas pelas populações periféricas e urbanas hoje”.
A peça incorpora elementos da antropofagia cultural, do folclore e da oralidade, além de referências artísticas a renomados modernistas, como Manuel Bandeira e Tarsila do Amaral. A relação com o universo das artes visuais, da performance e da música adiciona camadas de complexidade à narrativa, criando um diálogo entre passado e presente.
Sinopse: Macunaíma narra a trajetória do “herói sem nenhum caráter”, figura múltipla, contraditória e mutante, que atravessa o Brasil em uma jornada marcada por transformações, excessos e conflitos culturais.
“Mais do que um personagem, Macunaíma é um símbolo da tentativa modernista de compreender — e inventar — uma identidade nacional brasileira, mestiça, fragmentada e em permanente disputa. Na nossa produção, essa narrativa é territorializada, tensionada e reinventada. Em cena, não há um único herói: surgem vários Macunaímas, corpos diversos que coexistem, se contradizem e se atravessam, refletindo as múltiplas camadas do Brasil contemporâneo. Queremos propor uma crítica ao mito original, revisitando-o a partir de perspectivas periféricas, urbanas e populares, dialogando com o presente sem perder de vista as raízes modernistas”, ressalta Matheus.
“O que queremos é provocar uma reflexão sobre as identidades que compõem o Brasil de hoje. A montagem é um espaço aberto para que o público dialogue consigo mesmo e com o mundo ao seu redor”, diz Raineri. Ele descreve "Macunaíma" como um “ritual cênico antropofágico, um festival de invenção teatral que celebra a diversidade e a complexidade de nossas realidades”, complementa Mari Mello.
A Trilogia Antropofágica, que começou com ‘Encruzilhadas’ e ganha seu segundo ato com ‘Macunaíma’, é uma sequência de três espetáculos que a Oficina Estilhaça está fazendo que ficam dentro da mesma pesquisa antropofágica.
“O projeto se trata de olhar uma peça, mastigar ela e devolver ela abrasileira, é esse ato de devoramento da obra e de entrega para o mundo de outra maneira. ‘Encruzilhadas’, a primeira parte desse projeto, tem o mesmo estilo de ‘Macunaíma’, então esse segundo ato é uma continuação não da história, mas da linguagem. No caso dos livros seria uma saga, no contexto teatral é uma trilogia. O terceiro chega em breve e todos dialogam entre sim através da linguagem”, explica Raineri.
A produção conta com um elenco de 14 atores da Oficina Estilhaça e promete uma performance vibrante e cheia de nuances. A expectativa para a temporada é alta, com a intenção de não apenas encantar o público, mas também provocá-lo a refletir sobre sua identidade e suas experiências no Brasil contemporâneo.
“Estou muito feliz com esta obra e com tudo que vamos trazer à cena! Este é o nosso Macunaíma, que é, acima de tudo, um convite a todos para repensar suas narrativas e a brasilidade que construímos juntos”, conclui Raineri.
Os ingressos para a temporada de ‘Macunaíma’ estão à venda pelo Instagram da Oficina Estilhaça (https://www.instagram.com/oficinaestilhaca/), reservas pelo WhatsApp (21) 97579-7368 ou no local.
Macunaíma
Local: Museu da História e Cultura Afro-Brasileira (MUHCAB)
Endereço: Rua Pedro Ernesto, 80 – Gamboa, Rio de Janeiro – RJ
Temporada: de 28 de agosto a 11 de setembro
Dias e horários: sextas-feiras, às 19h30
Duração: aproximadamente 70 minutos
Classificação indicativa: 18 anos
Gênero: Teatro contemporâneo
Ingressos: R$ 30,00
Venda: disponível pelo Instagram da Oficina Estilhaça, reservas exclusivas pelo WhatsApp (21) 97579-7368 ou no local
Ficha Técnica
Texto: inspirado na obra Macunaíma, de Mário de Andrade
Direção artística: Matheus Raineri e Mari Mello
Realização: Oficina Estilhaça
Figurino e maquiagem: Construção coletiva.
Luz: Matheus Raineri
Operação de áudio: Mari Mello
