Celso Frateschi e Maria Fernanda Candido protagonizam Ibsen no Sesc Pinheiros (SP)
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| Foto: João Caldas |
O Sesc Pinheiros apresenta, de 8 de outubro a 8 de novembro de 2026, no Teatro Paulo Autran, a temporada de Quando Despertarmos de Entre os Mortos, último texto escrito pelo dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828–1906). Com direção de Elias Andreato, a montagem é protagonizada por Celso Frateschi e Maria Fernanda Candido, ao lado de Maria Manoella, Fernando Nitsch e Angelo Brandini. Escrita em 1899, a peça acompanha o reencontro entre Rubek, um escultor no fim da carreira, e Irene, sua antiga musa, e aborda memória, delírio, finitude e as consequências das escolhas feitas em nome da criação artística. As sessões acontecem de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos e feriado, às 18h. No dia 12 de outubro, a apresentação ocorre às 18h; em 29 de outubro e 5 de novembro, às 17h.
Na trama, o escultor Rubek (Celso Frateschi) vive um casamento monótono e infeliz com sua jovem esposa, Maja (Maria Manoella). O artista tenta reconstruir a própria história ao reencontrar Irene (Maria Fernanda Candido), mas o encontro não representa uma retomada do passado, e sim o confronto com aquilo que os dois deixaram de viver. A montagem estabelece um diálogo com a sociedade contemporânea ao apresentar personagens que já não parecem viver plenamente, permanecendo expostos, enquanto sentimentos e dores se transformam em espetáculo. A obra coloca em questão o que se sacrifica em nome da criação e a que custo.
“Há uma morte que não acontece no corpo. Acontece devagar. Quando deixamos de desejar. Quando o medo começa a escolher por nós. Quando nos acostumamos àquilo que já não nos faz vivos”, reflete Elias Andreato sobre a obra, acrescentando: “Há pessoas que continuam respirando, trabalhando, amando, cumprindo seus dias e, ainda assim, alguma coisa dentro delas já morreu. Talvez seja disso que Ibsen nos fale. Porque talvez o verdadeiro despertar aconteça quando já não houver tempo. Quando finalmente compreendermos que a vida estava acontecendo enquanto esperávamos pela vida. Que o amor estava ali. O corpo estava ali. A criação estava ali. A juventude estava ali. O outro estava ali. E nós não vimos. Ou vimos tarde demais. Então descobrimos, assustados, que o tempo não nos esperou. E já não podemos voltar. Só podemos perguntar: quanto da minha vida ainda está vivo em mim? E, enquanto houver alguma coisa que responda, ainda não é tarde.”
Escrita como uma espécie de testamento literário de Henrik Ibsen, Quando Despertarmos de Entre os Mortos sintetiza o clima de transição associado ao fin de siècle europeu. O período foi marcado pela convivência entre o avanço industrial e uma crescente angústia existencial. “O autor tem uma habilidade no poder da palavra, cria personagens com sutilezas e várias camadas. É um clássico, todavia os personagens falam dos sonhos, sentimentos, frustrações, conversam diretamente com o hoje, com a nossa atualidade em todos os sentidos.”, conclui Elias.
Conhecido por encenar textos clássicos de autores como Fiódor Dostoiévski, Molière, William Shakespeare e Anton Tchekhov, Celso Frateschi atua pela primeira vez em uma obra do autor norueguês. A montagem resgata no Brasil um texto pouco encenado do dramaturgo.
“Sem dúvida, Henrik Ibsen é um dos maiores dramaturgos do teatro ocidental. A dramaturgia de Quando Despertarmos de Entre os Mortos, é clássica: traz dimensões políticas e sociais e carrega uma carga sentimental profunda que envolve os personagens e a capacidade do dramaturgo de fabular. São características que o tornam atual em todos os sentidos”, enfatiza Frateschi.
A direção de arte de Sylvia Moreira apresenta figurinos que unem referências clássicas e contemporâneas. O cenário passa por três ambientes que acompanham o desenvolvimento da história: um solário de hotel, um jardim e, por fim, uma rampa que conduz simbolicamente às montanhas nórdicas. A trilha sonora de Dan Maia tem uma abordagem romântica e amplia a dimensão da trama.
A peça também marca o reencontro de parceiros de longa trajetória no teatro. Elias Andreato e Celso Frateschi têm carreiras que se entrelaçam em diferentes trabalhos. Ambos atuaram e dirigiram juntos a peça Áulis (1993), baseada na tragédia Ifigênia em Áulis de Eurípides. Em 1996, Andreato escreveu e dirigiu Do Amor de Dante por Beatriz, espetáculo protagonizado por Celso Frateschi. O texto Eu Não Sou Cachorro! (2001), de Fernando Bonassi, também reuniu os dois, com Andreato na direção e Frateschi em cena. Em 1997, ambos trabalharam ao lado de Paulo Autran em Para Sempre, com texto de Maria Adelaide Amaral.
Celso Frateschi e Maria Fernanda Candido também se reencontram nos palcos após 25 anos. Os dois integraram o elenco da produção brasileira de O Evangelho Segundo Jesus Cristo, adaptação de Maria Adelaide Amaral do romance homônimo de José Saramago, dirigido por José Possi Neto, em 2001. Na televisão, interpretaram pai e filha na minissérie Um Só Coração (2004), da TV Globo.
Serviço
Quando Despertarmos de Entre os Mortos
Temporada: 8 de outubro a 8 de novembro de 2026
De quinta a sábado, às 20h. Domingos e feriados, às 18h. No dia 12 de outubro, às 18h; nos dias 29 de outubro e 5 de novembro, às 17h
Local: Sesc Pinheiros - Teatro Paulo Autran - R. Paes Leme, 195 - Pinheiros - São Paulo, SP
Ingressos: R$ 90,00 (inteira), R$ 45,00 (meia-entrada) e R$ 27,00 (credencial plena)
Vendas em sescsp.org.br ou nas bilheterias das unidades do Sesc SP
Duração: 100 minutos
Classificação: 14 anos
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros - São Paulo, SP.
Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h às 22h. Sábados: 10h às 21h. Domingos e feriados: 10h às 18h30
Estacionamento com manobrista
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