"O Rinoceronte", de Ionesco, reestreia no Teatro de Arena (SP) em setembro

Clássico do Teatro do Absurdo investiga  o momento em que a pressa  pela unanimidade esmaga a singularidade humana

Elenco de "O Rinoceronte" | Foto: Rafa Marques



A Cia Paquiderme resgata o clássico do teatro do absurdo para refletir sobre o vazio da polarização, das bolhas digitais e do conformismo. Escrita em 1959 por Eugène Ionesco, a peça O Rinoceronte utiliza a metáfora da transformação de pessoas em rinocerontes para criticar a histeria coletiva, a perda de identidade individual e a adesão cega a ideologias de massa. 

É impressionante a atualidade do texto, que acompanha a resistência solitária do protagonista Bérenger face aos discursos simplificadores. O espetáculo reestreia no dia 5º de setembro, sábado, no Teatro de Arena Eugênio Kusnet. 

Sem recorrer a representações naturalistas ou ilustrações literais dos animais, o diretor Marcelo Lazzaratto — com quatro décadas de atuação contínua no teatro nacional entre direção, atuação, iluminação e escrita teatral — utiliza o espaço e a linguagem essencial para evidenciar a transformação coletiva. 

"Em Rinoceronte, de Eugène Ionesco, a ameaça não está no aparecimento dos rinocerontes, mas na velocidade com que uma sociedade inteira passa a aceitá-los. Nossa encenação investiga esse instante quase imperceptível em que o pensamento individual cede lugar ao desejo de pertencimento, quando a singularidade é substituída pela força tranquilizadora da unanimidade. [...] O rinoceronte nunca é ilustrado; ele se manifesta na reorganização dos corpos, na ocupação do espaço, na alteração das relações e na crescente sensação de que aquilo que parecia absurdo passa, pouco a pouco, a ser percebido como natural", fala Lazzaratto sobre o espetáculo. 

Todo o cenário e o figurino serão concebidos exclusivamente em preto e branco, eliminando completamente a profundidade do palco. Essa bidimensionalidade crua reflete o achatamento crítico do mundo moderno e o conformismo já apontado por Ionesco à época da criação do texto. A montagem conta ainda com uma densa paisagem sonora repleta de frequências graves, sirenes e ruídos urbanos que amplificam o ambiente de tensão permanente. 

Nas palavras de Lazzaratto, a obra "convida o espectador a uma pergunta que permanece radicalmente contemporânea: o que estamos dispostos a preservar de nossa humanidade quando a unanimidade se torna a regra?".

 

Sinopse

Você perceberia o momento exato em que deixa de pensar por si mesmo?

Em uma cidade onde os moradores começam a se transformar, a população cede gradualmente à força bruta e ao conformismo de manada. Em meio ao caos, Bérenger — interpretada por uma atriz nesta montagem — torna-se a última pessoa a resistir e defender sua humanidade.

A montagem convida o espectador a uma pergunta que permanece radicalmente contemporânea: o que estamos dispostos a preservar de nossa humanidade quando a unanimidade se torna a regra? 

 

 SERVIÇO:

  • Local: Teatro de Arena Eugênio Kusnet, rua Dr. Teodoro Baima, 94, Vila Buarque, São Paulo
  • Temporada: Setembro de 2026 (De 05/09 a 27/09)
  • Dias e Horários: Sábados às 20h e domingos às 19h
  • Ingressos: Sympla
  • Classificação indicativa: 12 anos
  • Duração: 1:40h
  • Gênero: Teatro do Absurdo 

 

FICHA TÉCNICA

  • Texto: Eugène Ionesco
  • Tradução: Luís de Lima
  • Direção: Marcelo Lazzaratto
  • Assistente de Direção e Produção Geral: Ariane Pedroso
  • Proponente/Produtor Executivo: Jorge Pitta
  • Elenco: Alexandre Romanelli, Antonia Pinheiro, Carol Schmid, Carol Soares, Catarina Savietto, Fernanda Costa, Jorge Pitta e Roberta McDonald.
  • Assistente de Produção: Guilherme Montoia
  • Maquiagem: Jorge Pitta
  • Figurino: Rafaela Freitas e Catarina Savietto
  • Cenografia: Carol Soares e Marcelo Lazzaratto
  • Iluminação: Marcelo Lazzaratto
  • Operação de Luz: Finnick Fernandes
  • Trilha Sonora: Alexandre Romanelli e Marcelo Lazzaratto
  • Operação de Som: Guilherme Montoia
  • Fotografia: Miguel Arcanjo e Rafael Marques 
  • Designer Gráfico: Diogo Andrade
  • Assessoria de Imprensa: Flávia Fusco
  • Jurídico: Carol Schmid
  • Realização: Cia Paquiderme