No programa, a psiquiatra reflete sobre a relação entre medicina e literatura, trabalho realizado no sistema prisional, além de falar sobre sua obra "Antes Que Apague"
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| Marcelo Tas e Natalia Timerman | Foto: Margareth Dias/Acervo TV Cultura |
Nesta terça-feira (21/7), às 22h30, a TV Cultura exibe mais uma edição do Provoca, com apresentação de Marcelo Tas. A convidada é a médica psiquiatra e escritora Natalia Timerman, que conversa sobre a relação entre medicina e literatura, relembra a experiência de ter trabalho em um hospital penitenciário e comenta sobre suas obras.
Ao falar sobre sua trajetória, Natalia conta que sempre sonhou em ser escritora e que a medicina acabou conduzindo seu caminho até a literatura. "Eu sempre quis ser escritora e a medicina foi o desvio. [...] Mas me encantei pela medicina e pela psiquiatria."
A autora também relembra os oito anos em que trabalhou no Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário, em São Paulo, experiência que deu origem ao livro Desterros: Histórias de um hospital-prisão. Segundo ela, o contato com essa realidade marcou profundamente sua forma de enxergar o país e também influenciou sua escrita. "É o real. Ainda que a literatura também lide com o real de outras maneiras, mas acho que é um contraponto importante para mim. No dia a dia, estar diante de alguém, escutar, um exercício da escuta e da presença."
A escritora fala ainda sobre Antes que Apague, romance inspirado na experiência de acompanhar a mãe com Alzheimer. Ao comentar as frequentes comparações entre sua vida e a narrativa, ela afirma: "Tudo o que Antes que Apague precisa para ser compreendido está dentro dele, a minha vida não é necessária. Acho que por isso não importa saber se é autobiográfico ou não."
No programa, Natalia também revela como encontrou na natação em mar aberto uma forma de enfrentar a angústia e os próprios medos. "Realmente dissolve a angústia. [...]É muito prazeroso. De repente você vê um peixe, vê uma tartaruga, vê um cardume. Acho que foi um jeito de eu olhar para os meus medos e falar: 'Vamos lá'.", encerra.