Madonna, Shakira, BTS e Justin Bieber transformam final da Copa em espetáculo histórico
Show aconteceu no intervalo do jogo entre Espanha e Argentina
| Madonna, Ronadinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno | Foto: Reprodução |
A final da Copa do Mundo de 2026 entrou para a história não apenas pelo confronto entre Argentina e Espanha, mas também por apresentar o primeiro grande show de intervalo realizado durante uma decisão do torneio. Depois de 96 anos em que a pausa entre os dois tempos permaneceu reservada aos jogadores, às análises e aos ajustes táticos, o gramado do New York New Jersey Stadium, em East Rutherford, recebeu uma produção de proporções semelhantes às vistas no Super Bowl, reunindo alguns dos maiores nomes da música mundial.
Coube à maior de todas, Madonna, abrir o espetáculo. A apresentação começou com uma sequência aparentemente pré-gravada em uma pista de patinação, antes de a Rainha do Pop entrar no estádio a bordo de um veículo e transformar “Music”, clássico lançado em 2000, em uma celebração da capacidade da música de reunir pessoas. A escolha não poderia ter sido mais adequada para um evento acompanhado por diferentes países e culturas, especialmente por trazer justamente a mensagem de que a música faz as pessoas se unirem.
| Shakira e Burna Boy | Foto: Reprodução |
Madonna ainda preparou uma surpresa especial para o público brasileiro ao dividir a cena com Ronaldo Fenômeno e Ronaldinho Gaúcho. A presença dos dois campeões mundiais ao lado da artista criou um dos encontros mais simbólicos de toda a cerimônia, unindo a maior estrela da história da música pop a dois dos nomes mais importantes do futebol brasileiro. Mesmo tendo apenas uma música para apresentar, Madonna comandou o estádio com naturalidade, carisma e a segurança de quem compreende perfeitamente o tamanho de um momento como aquele. Mais uma vez, ela não precisou de um repertório extenso para lembrar por que continua ocupando uma posição que nenhuma outra artista conseguiu alcançar.
Na sequência, o maestro venezuelano Gustavo Dudamel assumiu a apresentação e conduziu uma orquestra em uma versão de “Seven Nation Army”, canção do The White Stripes que se tornou um dos maiores hinos informais dos estádios de futebol. O número ganhou um tom divertido com a presença de personagens dos Muppets, incluindo Animal, que interagiram com a música enquanto o estádio acompanhava a melodia já conhecida por torcedores de todo o mundo.
| Justin Bieber | Foto: Reprodução |
O BTS levou a energia do K-pop ao gramado com “Dynamite”. Vestidos em vermelho e preto, os integrantes apresentaram uma performance coreografada e acelerada, reforçando a proposta global do evento. O número também marcou uma das maiores aparições do grupo desde o período de pausa provocado pelo serviço militar obrigatório de seus integrantes, colocando novamente o BTS diante de uma audiência mundial.
Jason Sudeikis e Brendan Hunt também participaram do espetáculo caracterizados como seus personagens de “Ted Lasso”. Os atores surgiram para incentivar Justin Bieber antes da entrada do cantor canadense, que alterou completamente o ritmo da apresentação com “Everything Hallelujah”. Em contraste com a abertura dançante de Madonna e a energia do BTS, Bieber apostou em um momento mais lento e emocional, criando uma pausa de delicadeza dentro de uma produção marcada por muitas atrações e mudanças rápidas de cenário.
| BTS | Foto: Reprodução |
Shakira, artista que mantém uma relação histórica com a Copa do Mundo, apareceu ao lado de Burna Boy para cantar “Dai Dai”, música que acompanhou o torneio de 2026 e foi executada antes das 104 partidas da competição. Com coreografia, dança e a energia característica de suas apresentações, a colombiana confirmou mais uma vez sua posição como uma das artistas mais associadas à história recente das Copas. Depois de transformar “Waka Waka (This Time for Africa)” em um fenômeno mundial em 2010, Shakira voltou a ocupar o centro de uma celebração do futebol, agora dividindo o palco com o artista nigeriano.
O encerramento trouxe o PS22 Chorus, coral formado por estudantes do ensino fundamental de Staten Island, além da participação do Coldplay e de personagens infantis. A presença das crianças não foi apenas uma escolha artística. Produzido em parceria com a Global Citizen e dirigido artisticamente por Chris Martin, o show foi associado ao FIFA Global Citizen Education Fund, iniciativa criada para arrecadar recursos destinados à ampliação do acesso à educação de qualidade e ao futebol para crianças de diferentes partes do mundo.
| Foto: Reprodução |
Com fumaça colorida, dançarinos espalhados pelo gramado, orquestra, personagens conhecidos, estrelas de diferentes gerações e estilos musicais, o espetáculo tentou representar o caráter internacional da Copa do Mundo. A produção certamente deve alimentar discussões entre aqueles que defendem a tradição do futebol e os que aprovam a aproximação do esporte com o entretenimento dos grandes eventos norte-americanos. Ainda assim, não há como negar a dimensão histórica do que aconteceu em Nova Jersey.