Carolina Dieckmmann estrela "Pequenas Criaturas", que trata de dramas pessoais e estreia nos cinemas em 23 de julho
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| Lorenzo Mello, Théo Medon e Carolina Dieckmmann | Foto: Michael Fred |
O P de Pop Brasil acompanhou a pré-estreia de “Pequenas Criaturas” em São Paulo e conversou com parte do elenco do longa, que chegará aos cinemas brasileiros no dia 23 de julho. Vencedor do Troféu Redentor de Melhor Filme de Ficção no Festival do Rio 2025, o filme dirigido e roteirizado por Anne Pinheiro Guimarães entrega uma história delicada, sensível e profundamente humana sobre uma família que tenta se adaptar a uma nova vida enquanto o próprio Brasil reaprende a olhar para o futuro.
Ambientada em Brasília, em 1986, a trama acompanha Helena, interpretada por Carolina Dieckmmann, que se muda para a capital ao lado do marido e dos filhos. Quando ele parte para uma longa viagem de trabalho, ela precisa lidar sozinha com uma casa ainda tomada por caixas, os conflitos dos filhos e as dúvidas sobre as escolhas que fez ao longo da vida. Ao mesmo tempo, o país atravessa o lento processo de redemocratização após a Ditadura Militar.
A relação entre o momento histórico e os conflitos da família é construída com sutileza. O contexto político não transforma o filme em uma aula de história, mas surge nos detalhes, nos comportamentos e na sensação de que todos estão diante de um futuro incerto. Assim como o Brasil tenta se reconstruir, Helena também precisa descobrir quem é fora dos papéis de esposa e mãe.
Carolina Dieckmmann entrega uma atuação sensível e contida, construindo uma personagem marcada pelo cansaço, pela solidão e por uma força que aparece justamente nos momentos de maior vulnerabilidade. Théo Medon também se destaca como André, um adolescente que enfrenta as próprias descobertas enquanto tenta compreender as mudanças dentro de casa. Lorenzo Mello, como Dudu, traz ternura e imaginação à narrativa, conquistando o público com uma atuação espontânea e comovente.
Brasília se torna parte essencial da história. Sua arquitetura grandiosa contrasta com a intimidade dos personagens, enquanto a direção de arte recria a década de 1980 sem exageros ou nostalgia artificial. Anne Pinheiro Guimarães conduz o longa com segurança, valorizando os silêncios, os pequenos gestos e as relações familiares em vez de recorrer a grandes reviravoltas.
Delicado sem ser frágil e melancólico sem abandonar a esperança, “Pequenas Criaturas” é uma pequena joia do cinema brasileiro. O filme encontra força na simplicidade e transforma uma história familiar em uma reflexão bonita sobre maternidade, amadurecimento, solidão e recomeços.
