"A Hora da Estrela", de Suzana Amaral, volta a ganhar destaque após ações de incentivo ao cinema brasileiro

Escolhido para representar o Brasil no Oscar de 1986, o longa vive nova onda de sucesso após iniciativas como a plataforma Tela Brasil e a Mostra de Cinema Brasileiro em Xangai

Marcélia Cartaxo | Foto: Reprodução



Sucesso na época de lançamento, A Hora da Estrela, adaptação do livro de Clarice Lispector dirigida por Suzana Amaral, vive um momento de destaque no debate público após iniciativas que buscam impulsionar o audiovisual nacional. Como parte da comemoração do Ano Cultural Brasil-China, o filme foi escolhido para representar o país na Mostra de Cinema Brasileiro, que aconteceu durante o 28º Festival Internacional de Cinema de Xangai. Simultaneamente, o longa ocupa o primeiro lugar entre os títulos mais assistidos do Tela Brasil desde o lançamento da plataforma no fim de maio.

Protagonizada por Marcélia Cartaxo em sua primeira atuação no cinema, a adaptação também conta com Fernanda Montenegro e José Dumont para retratar a história de Macabéa, jovem nordestina que migra para São Paulo após perder sua única família, a tia que a criou. Selecionada para a Mostra de Cinema Brasileiro no Festival de Xangai, a produção foi a única não contemporânea entre os nove títulos participantes, representando a longevidade do audiovisual brasileiro e confirmando sua relevância até os dias de hoje.  

"O filme entrou para a história, é um marco do cinema brasileiro. Vai ficar imortalizado para toda a vida. Fico muito feliz que os chineses possam ter a oportunidade de conhecer essa história, mesmo que 40 anos depois de sua estreia oficial; pois a obra ainda permanece atual de diversas formas", afirma a atriz Marcélia Cartaxo. 

A Hora da Estrela teve sua estreia em 1985 no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde conquistou seis prêmios, incluindo Melhor Filme e Melhor Direção. No ano seguinte, o título fez história no Festival Internacional de Cinema de Berlim (Berlinale) ao vencer o Prêmio da Crítica e o Urso de Prata de Melhor Atriz, sendo o representante oficial do Brasil no Oscar de 1986. Recentemente restaurado e relançado pela Sessão Vitrine Petrobrás — um dos principais projetos de distribuição de filmes nacionais dos últimos anos,—, o longa também foi considerado um dos 100 mais importantes da história do país pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), em ranking divulgado em maio deste ano.

Para além de sua trajetória consagrada, o sucesso de A Hora da Estrela no Tela Brasil e sua escolha para integrar a missão brasileira na China podem ser facilmente explicados. O filme se tornou ao longo das décadas um grande representante do cinema nacional, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Isso porque, mais do que adaptar um clássico da literatura que aborda questões centrais da sociedade brasileira, ele também retrata experiências humanas universais, uma característica da obra de Lispector preservada por Suzana Amaral ao levá-la para a tela grande.

Além do longa, também participaram da Mostra de Cinema Brasileiro em Xangai os títulos Coração das Trevas, de Rogério Nunes; Papaya, de Priscilla Kellen; Amadeo e o Hipotético Mundo Novo, de Brenda Lígia e Edu Felistoque; Feito Pipa, de Allan Deberton; Para Vigo me Voy!, de Lírio Ferreira e Karen Harley; A Fabulosa Máquina do Tempo, de Eliza Capai; O Deserto de Luiza, de Alan Minas; e Herança de Narcisa, de Clarissa Appelt e Daniel Dias.