"O Convite": comédia de Olivia Wilde garante risadas e reflexão da vida em casal

Longa, dirigido por Olivia Wilde, será lançado oficialmente em 9 de julho

Elenco do filme "O Convite" | Foto: O2 Filmes



A nova comédia "O Convite" chegará aos cinemas brasileiros em 9 de julho, mas já será possível assistir ao longa a partir do dia 27 de junho em cidades selecionadas. Dirigida por Olivia Wilde, que também no atua no longo, a comédia faz seu público rir, mas também faz o público refletir.

Com apenas quatro atores no elenco e um cenário, "O Convite" chega cercado por uma recepção crítica bastante favorável e reforça Olivia Wilde como uma diretora interessada em histórias adultas, desconfortáveis e sustentadas muito mais por diálogos, tensão e presença de elenco do que por grandes movimentos de trama. O filme, estrelado por Wilde ao lado de Seth Rogen, Penélope Cruz e Edward Norton, parte de uma premissa simples, quase teatral: um casal em crise recebe os vizinhos de cima para um jantar que, aos poucos, deixa de ser apenas uma situação social constrangedora e passa a expor frustrações, desejos, inseguranças e rachaduras emocionais que já estavam ali antes mesmo da primeira taça ser servida.

Grande parte das críticas destaca justamente essa estrutura de câmara, concentrada em poucos personagens e em um ambiente limitado, como uma das maiores forças do longa. O filme tem sido descrito como uma comédia adulta rara no cinema recente, daquelas que não tratam casamento, sexo e desejo como temas superficiais, mas como campos de batalha emocional. A comparação com clássicos de casais em confronto aparece com frequência, especialmente pela maneira como a noite se transforma em um jogo de provocações, revelações e pequenas humilhações, sempre equilibrando humor e desconforto.

O elenco é apontado como o grande trunfo de "O Convite". Seth Rogen surge em um registro mais contido, explorando o desgaste de um homem preso entre a apatia, o ressentimento e a tentativa de manter alguma normalidade. Olivia Wilde, além de dirigir, interpreta Angela como uma mulher ansiosa, insatisfeita e vulnerável, alguém que parece sufocada dentro da própria vida. Penélope Cruz e Edward Norton entram como a energia desestabilizadora da história, formando o casal vizinho que, à primeira vista, parece mais livre, mais interessante e mais resolvido, mas que também carrega suas próprias contradições. A química entre os quatro é um dos pontos mais elogiados, especialmente porque o filme depende quase inteiramente do ritmo dessas interações.

"O Convite" é uma obra espirituosa, elegante e surpreendentemente emocional. Não podem faltar elogios à direção de Wilde, que consegue transformar um jantar em um espaço de tensão crescente, com momentos de comédia física, diálogos afiados e cenas que parecem observar os personagens sem condená-los. O filme também chama atenção por não tratar a sexualidade apenas como choque ou provocação. O assunto aparece como uma porta de entrada para discutir casamento, envelhecimento, rotina, desejo reprimido e a distância que pode surgir entre duas pessoas que continuam juntas, mas já não sabem exatamente como se encontrar.

Entretanto, "O Convite" nem sempre sustenta o mesmo nível de precisão ao longo da narrativa. O filme começa tentando impressionar demais, demora um pouco para encontrar seu tom e, em certos momentos, parece dividido entre a comédia de situação e o drama sentimental. O terceiro ato também aparece como uma ressalva recorrente, com a sensação de que algumas viradas emocionais poderiam ser mais bem construídas ou menos convencionais. Há quem veja o desfecho como seguro demais para uma história que flerta o tempo todo com ideias mais arriscadas.

Mesmo com essas observações, o consenso geral é bastante positivo. "O Convite" vem sendo recebido como uma comédia dramática inteligente, bem atuada e voltada para um público adulto, algo que muitos críticos consideram cada vez mais raro no circuito comercial. O filme funciona melhor quando abraça o constrangimento, quando deixa seus personagens falarem demais, se contradizerem e revelarem, sem perceber, aquilo que tentam esconder. É nesse território entre o riso e o incômodo que Olivia Wilde parece encontrar o ponto mais forte da obra.

No fim, "O Convite" não parece interessado apenas em perguntar o que acontece quando um casal em crise é confrontado por outro modelo de relação. A pergunta mais incômoda é outra: o que ainda resta de desejo, cumplicidade e verdade quando a rotina já transformou o amor em hábito? A resposta do filme, segundo boa parte da crítica, vem com humor, elegância e uma dose bem calculada de desconforto. E você confere a partir de 9 de julho em todos os cinemas nacionais.

O estúdio A24, famoso por filmes como "A Bruxa", "O Brutalista", "Marty Supreme" e o ganhador do Oscar "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo", comprou os direitos de distribuição nos Estados Unidos por uma bagatela de 13 milhões de dólares, acendendo o interesse na direção de Wilde. No Brasil, o filme é distribuído pela O2 Filmes.