Kid Abelha faz show nostálgico em São Paulo na noite deste sábado (27)

Com grande produção, Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato levaram os fãs ao delírio

Paula Toller com o Kid Abelha | Foto: Mateus Buzzo



O Kid Abelha transformou a noite de sábado, 27 de junho, em São Paulo, em um grande encontro entre memória afetiva e presente. Com a turnê “Eu Tive Um Sonho”, Paula Toller, George Israel e Bruno Fortunato subiram ao palco do Nubank Parque, antigo Allianz Parque, para celebrar um reencontro aguardado por fãs que atravessaram décadas ao som de canções que ajudaram a moldar o pop rock brasileiro. Mais do que uma volta aos palcos, o show teve clima de retomada emocional, daqueles em que o público não apenas assiste, mas participa como parte viva da história.

Paula Toller com o Kid Abelha | Foto: Henrique Santana


O trio, cuja apresentação estava marcada para 20h30, conduziu a plateia por cerca de duas horas de repertório. Logo no início, “Lágrimas e Chuva” deu o tom da noite, abrindo caminho para uma sequência que mergulhou em diferentes fases da banda, com “Nada Tanto Assim”, “No Meio da Rua”, “Educação Sentimental II” e “Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor)”. A cada música, o show parecia menos interessado em provar a importância do Kid Abelha e mais empenhado em lembrar que essa importância nunca deixou de existir.

Paula Toller com o Kid Abelha | Foto: Mateus Buzzo


No palco, Paula Toller manteve a elegância vocal e a presença que sempre fizeram dela uma das figuras mais marcantes da música brasileira. George Israel alternou saxofone, vocais e instrumentos, reforçando a identidade sonora da banda, enquanto Bruno Fortunato sustentou na guitarra a espinha dorsal de um repertório que segue reconhecível nos primeiros acordes. A direção musical de Liminha, com direção de arte de Gringo Cardia, ajudou a construir uma apresentação pensada para grandes espaços, mas sem perder a intimidade que sempre fez parte da relação do Kid Abelha com o público.

Paula Toller com o Kid Abelha | Foto: Mateus Buzzo


O roteiro também abriu espaço para momentos de delicadeza e surpresa. “Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda”, clássico de Hyldon incorporado à trajetória do grupo, apareceu como uma pausa luminosa dentro da noite, enquanto “Eu Só Penso em Você” surgiu como uma das escolhas especiais da apresentação em São Paulo. Canções como “Amanhã É 23”, “Nada Por Mim”, “Deus (Apareça na Televisão)”, “Peito Aberto”, “Eu Contra a Noite” e “No Seu Lugar” reforçaram a força de um catálogo que dialoga com romances, despedidas, descobertas e contradições sentimentais com uma naturalidade rara.

Paula Toller com o Kid Abelha | Foto: Mateus Buzzo


O momento que deu nome à turnê veio com “Eu Tive Um Sonho”, apresentada depois de uma introdução instrumental, quase como se a banda quisesse preparar o público para entender o peso simbólico daquele reencontro. Em seguida, “Como É Que Eu Vou Embora”, “Maio”, “Garotos”, “Seu Espião”, “Nada Sei”, “Todo o Meu Ouro”, “Te Amo Pra Sempre”, “Grand’Hotel” e “Fixação” ampliaram a sensação de viagem no tempo sem transformar a noite em exercício de nostalgia pura. O Kid Abelha parecia revisitar o passado com o corpo no presente, preservando a memória sem depender apenas dela.

Kid Abelha | Foto: Mateus Buzzo


Na reta final, o público ganhou alguns dos momentos mais aguardados. “Como Eu Quero” veio no bis como catarse coletiva, cantada em coro por uma plateia que reconhece na música não apenas um sucesso dos anos 1980, mas uma espécie de documento sentimental de gerações. Depois, “Os Outros” e “A Fórmula do Amor” apareceram em sequência, antes do encerramento com “Por Que Não Eu?” e “Pintura Íntima”, fechando a noite com a leveza provocante e pop que sempre esteve no DNA da banda.

Palco do Kid Abelha | Foto: Mateus Buzzo


O show em São Paulo confirmou que o reencontro do Kid Abelha não se apoia apenas na saudade. A saudade estava ali, claro, espalhada nos refrões, nos olhares e nos celulares erguidos para registrar aquilo que muita gente talvez achasse que não veria novamente. Mas havia também presença, vigor e uma sensação clara de continuidade. Paula, George e Bruno voltaram ao palco sem transformar a própria história em peça de museu. Pelo contrário: fizeram dela matéria viva. Em uma cidade acostumada a receber grandes espetáculos, o Kid Abelha entregou uma noite de celebração pop, afeto coletivo e permanência. Um lembrete de que certas músicas não envelhecem. Elas apenas esperam a hora certa de serem cantadas novamente.