Instituto Capobianco estreia o espetáculo “BadeRna - Um Sobrevoo", do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos

A peça, inspirada na trajetória artística e política da bailarina italiana Marietta Baderna (1828–1870), celebra 12 anos de trajetória e retorna ao público em uma nova versão.

Foto: Sérgio Silv


Concebido e interpretado por Luaa Gabanini e dirigido por Roberta Estrela D’Alva,  o espetáculo “BadeRna – Um sobrevoo”, do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, estreia no dia 3 de abril, no Instituto Capobianco. A temporada, que integra a residência artística do grupo, conta  com 12 apresentações, e segue até 26 de abril.

Inspirada na vida e na militância da bailarina italiana Marietta Baderna (1828–1870), a peça parte de sua trajetória como inspiração para uma criação performática que dialoga com seu espírito transgressor. Ousada e inovadora, Marietta desafiou o conservadorismo do século XIX ao fundir o rigor do balé clássico à ginga do lundu — dança de matriz africana que, na época, era símbolo de resistência dos povos escravizados.

Perseguida pelo conservadorismo da época, Baderna deixou os palcos, e seus admiradores — os “baderneiros” — passaram a frequentar teatros gritando “Cadê a Baderna?”, causando alvoroço. Com o tempo, seu sobrenome, antes ligado à ideia de uma “dança divina”, passou a significar confusão, desordem ou bagunça, enquanto a história da artista acabou sendo parcialmente esquecida. A palavra baderna, exclusiva do português do Brasil, surgiu no fim do século XIX em referência à bailarina italiana. 

Desde 2014, o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos têm explorado essa memória para estabelecer conexões com seu contexto histórico, quando BadeRna foi apresentada como um espetáculo performático. Agora, o grupo estreia uma nova versão, “BadeRna – Um sobrevoo”, atualizando a criação a partir das transformações do contexto histórico e político e também do próprio corpo que a encena e reinventado de forma decolonial essas relações, incorporando o espírito do verbo “badernar”: militar, confrontar, questionar.

“Comemorando 12 anos da montagem, a nova performance aborda não só o despejo de uma companhia de teatro, mas também a invisibilidade de corpos marginalizados e o desprezo pela história, representado na figura transgressora da bailarina Baderna”, afirma a diretora Roberta Estrela D’Alva.

O espetáculo mistura poesia, dança, música e palavra, criando um território performático que propõe uma experiência cênica em que corpo e linguagem se encontram para tensionar o presente e imaginar outras formas de viver no presente.