Theatro Municipal apresenta remontagem da ópera 'O Amor das Três Laranjas'
O espetáculo mescla a fábula, paródia e ironia numa ópera que mostra o poder do humor na arte
| Foto: Rafael Salvador/ Divulgação |
Destaque da temporada 2022 do Theatro Municipal de São Paulo, a ópera 'O Amor das Três Laranjas' (L’Amour des Trois Oranges), de Sergei Prokofiev, volta aos palcos no dia 27 de fevereiro (sexta-feira), às 20h, com sessões às 17h (sábados e domingos) e às 20h (terças, quartas e sextas-feiras), na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal.
O espetáculo é marcado pela concepção do ator e encenador Luiz Carlos Vasconcelos, cujas passagens incluem telas e palcos brasileiros, além da direção cênica de Ronaldo Zero e direção musical de Roberto Minczuk.
Essa divertida ópera de Prokofiev possui uma trama cômica e de origem bastante complexa, trazendo um conto do século XVII originalmente escrito por Giambattista Basile, porém com a adaptação para a linguagem teatral sob a assinatura de Carlo Gozzi, um século depois. L’Amour des Trois Oranges ainda passou a ser traduzida para o russo e francês pelo próprio compositor e por Vera Janacópulos, soprano brasileira de primeira importância em sua época por divulgar na Europa nomes como Villa-Lobos.
De acordo com Andrea Caruso Saturnino, diretora geral do Complexo Theatro Municipal, “é muito importante que uma casa de ópera como o Theatro Municipal de São Paulo seja capaz de remontar os sucessos de temporadas anteriores. Além de aproveitarmos grande parte do que já integra o nosso acervo, as remontagens conferem sobrevida às concepções artísticas e permitem que as obras tenham uma segunda oportunidade de encontro com o público”.
Os fãs do realismo fantástico devem se divertir com a narrativa, que conta a saga de um Rei para curar a melancolia de seu filho. Com esse objetivo, ele convoca uma série de atividades para entretê-lo, apresentadas por personagens oriundos da Commedia dell’Arte, magos, bruxas e uma musicalidade radiante entre a tradição russa e a tradição romântica.
Segundo o diretor cênico, Ronaldo Zero, a montagem se trata menos de refazer e mais de reativar. “Um dos eixos centrais da obra é a chamada “guerra de linguagens”: a disputa entre Trágicos, Cômicos, Alienados e Românticos pelo controle da narrativa. “O grande desafio em 2026 é manter a montagem viva, fresca e pulsante em um mundo onde tudo se torna obsoleto muito rapidamente. Ao mesmo tempo, há o prazer de retornar a uma montagem que conheço profundamente, que ajudei a construir e que continua oferecendo novas camadas de leitura. O Amor das Três Laranjas segue atual justamente porque se recusa a ser estável”, explica.
Para o maestro Roberto Minczuk, que assina a direção musical do espetáculo, a orquestra tem um papel protagonista nesta ópera. “A escrita de Prokofiev, considerado um gênio da criatividade e da instrumentação, é sempre a de uma composição que narra a história em seus mínimos detalhes. O Amor das Três Laranjas é tão sinfônica que a parte mais memorável, a que mais se conhece, não é nenhuma grande ária ou grande coro, como costuma acontecer, e sim a famosa marcha sinfônica, o tema mais conhecido de toda ópera, que é puramente sinfônico e instrumental”, conclui.
SERVIÇO
O amor das Três Laranjas
Sala de Espetáculos - Theatro Municipal de São Paulo
ORQUESTRA SINFÔNICA MUNICIPAL
CORO LÍRICO MUNICIPAL
Datas e horários
27 FEV (sexta-feira), 20h
28 FEV (sábado), 17h
01 MAR (domingo), 17h
03 MAR (terça-feira), 20h
04 MAR (quarta-feira), 20h
06 MAR (sexta-feira), 20h
07 MAR (sábado), 17h
Roberto Minczuk – direção musical
Luiz Carlos Vasconcelos – concepção
Ronaldo Zero – direção cênica
Simone Mina – direção de arte, figurino e cenografia
Carolina Bertier – direção de arte, figurino e cenografia
Wagner Pinto e Carina Tavares – iluminação
Westerley Dornellas – caracterização
Aelson Lima – assistente de direção cênica
Elenco
Valeriano Lanchas – O Rei de Paus
Giovanni Tristacci – O Príncipe
Lídia Schäffer – A Princesa Clarice
Johnny França – Leandro
Mikael Coutinho – Truffaldino
Santiago Villalba – Pantaleão
Fellipe Oliveira – O Mago Célio
Gabriella Pace – Fada Morgana
Raquel Paulin – Ninete
Keila de Moraes – Nicolete
Nathalia Serrano – Linete
Gustavo Lassen – A Cozinheira
Daniel Lee – Farfarelo
Sarah Migliori – Esmeraldina
Vitorio Scarpi – O Mestre de Cerimônias
Orlando Marcos – O Arauto
Elenco de apoio
Abyara Santoro, Ana Carolina Yamamoto, Dora Cestari, Francisco Lcl Rolim, Giovana Echeverria, João Monteiro, Ju Soveral, Lacava di Castro, Lena Santos, Mirtes Ladeira, Nill de Pádua, Pexera, Raíssa Guimarães, Ricardo Aires.
Ingressos de R$ 47 a R$ 290 (inteira)
Duração de aproximadamente 2h15 (com intervalo)
Classificação: Não recomendado para menores de 12 anos (Pode conter histórias de agressão física, insinuação de consumo de drogas e insinuação leve de sexo)